sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O Cancer foi como um preparo. O tempo tem passado tão depressa, mas parece que foi ontem...

O tempo passa, tudo tem passado muito depressa. Em maio de 2006 descobri que tinha um câncer de mama, procurei um mastologista e Deus esse Deus que sempre me dá as diretrizes e os caminhos a serem seguidos, mais uma vez me sustentou, num momento em que passava por mais uma prova. Fiz todos os exames e por incrivel que pareça eu já sabia do que se tratava, só não sabia o nome até que descobri que tinha um Carcinoma ductal na mama direita. Fiz a cirurgia e depois o tratamento, quimioterapia, tinha momentos que pensava que não resistiria, mas havia uma força que impulsionava a ir para a frente e buscar a cura. Por incrivel que pareça, estava sempre assistindo filmes e os que mais assisti foram filmes que falavam sobre o cancer, a busca insessante das pessoas pela cura, algumas perdas, algumas desistências, alguns deprimidos, outros aceitando o fato de que era o fim, outros desesperavam-se, filmes que falavam de pessoas que buscaram aproveitar o máximo até o dia da partida etc. etc. etc.
Todos os filmes que assistia só me traziam a nítida certeza que eu queria viver, e tinha que buscar dentro de mim a cura para minha alma e meu corpo. Nunca neguei o fato de ter tido um cancer, ao mesmo tempo tinha a certeza da cura, e, procurei fazer todo o tratamento como manda a medicina convencional e em nenhum momento descuidei da minha alimentação, do corpo e da minha saúde mental. Busquei trabalhar todo o tempo e ocupei minha mente com coisas que me agradava fazer e eu passei a produzir alimento, eu tinha uma padaria e me ocupava o dia inteiro, fazendo pão, doces, salgados, confeitaria no geral, não tinha muito tempo para adoecer e nem queria. Fiz tudo que achava que era bom pra mim. Em nenhum instante me lamentei pelo fato, não, podem acreditar, busquei forças no sorriso, na música agradável, nos meus filhos e netos, busquei força na fé e, agradecia todos os dias por mais um dia.  Quando fazia quimioterapia, passava dois, três até cinco dias fazendo vômitos, mas não conseguia ficar mais que um dia ou dois em casa e logo sentia necessidade de buscar ocupação então ia para o lugar que gostava de estar e me entregava ao trabalho. Tinha certeza que aquele cancer foi uma forma de me mostrar que precisava dar outros rumos à minha vida. Heide e Kely, sempre ao meu lado, elas achavam que eu estava arriscando minha vida me dedicando ao trabalho. Heide me deu de presente um livro, "Sonhos que curam" e o meu maior sonho era estar viva aqui presente para vivenciar os grandes momentos ao lado da minha família. Me senti mais forte, ´passei a dizer mais o que penso e aprendi a coviver com os meus defeitos. Tomei a decisão de dizer as pessoas o quanto são importantes para mim, disse mais vezes eu te amo. Chorei muito por causa de alguns entreveros mas, sorria a seguir depois das lágrimas buscando o meu Eu ROCHA.  Passei a me aceitar e corrigir algumas coisas que não gostava em mim, aprendi a não ser tão temperamental e tratei de ser menos impulsiva, já tinha tido tantas perdas importantes, a morte do meu irmão caçula, em seguida após dois anos a partida da minha mãe. Tudo que nos acontece de bom ou ruim, nem sempre é tão bom nem tão ruim, as vezes o que parece ruim é bom, devemos sempre perguntar o que está acontecendo agora quer me mostrar o quê? A resposta vem pode ter certeza. Hoje percebo que todo o meu aprendizado durante o período da doença, me fez cultivar a paciência e o bom senso, me tornei mais branda e aprendi a me perdoar. Eu costumava  dizer que,  se alguém ferisse um dos meus filhos não ficaria pedra sobre pedra, acho que tudo que tem acontecido comigo tem me mostrado o quanto isso tudo é passageiro.
Eu sei que passei por um estágio e garanto que não há dor maior que ficar sem um pedaço de nós. Não tive ainda tempo pra chorar de verdade e nem ficar só comigo mesma para repensar em tudo que tem acontecido, a única coisa que sei é que existe um buraco e a saudade é intensa e imensa. O cancer foi uma coisinha pequena somente como uma prova para ultrapassar uma outra ainda maior.
Caio está crescendo, e já está se aproximando o momento mais crucial da minha vida que é contar-lhe toda verdade. Não tenho medo de nada, me preocupo apenas  como ele irá encarar, a psicologa acha que ele está muito bem amparado estará preparado no momento certo. Mas há realmente um momento certo para ouvir tamanha atrocidade?
Tenho apenas que pedir a Deus que ampare-nos e a Heide a minha filha querida e amada. Saudades sempre amor eterno.