sexta-feira, 23 de março de 2012

ARTIGO: SUPERANDO A DOR DE UMA GRANDE PERDA



17/10/2007

Viviane Sampaio

 
Como superar a perda de uma pessoa querida? Existe uma forma melhor de enfrentar a morte? Como continuar a viver sem a pessoa que era o motivo do nosso viver?
Não sei, mas gostaria de saber. Só sei que a dor que sentimos quando perdemos alguém é a maior que podemos passar na vida. Não há nada mais doloroso que isso. Uma briga com o filho; uma discussão com a esposa ou um desentendimento com o amigo são problemas superáveis. Dependem apenas de tempo ou coragem suficiente de todos para reverem seus pontos de vista.
Já a morte não espera e nem quer negociar. Não obedece ao tempo e muito menos à consciência. Aparece quando menos esperamos e derrota toda a nossa esperança e fé na vida.
A morte entra de uma forma brutal na vida. Corrói o coração de uma pessoa e estraçalha seus sonhos. Aniquila sua força para viver e parece que vai quebrá-la por inteiro e destruí-la. É uma dor que não some. Pelo contrário, consome cada momento bom da vida. Sem a menor piedade e muito menos sem pedir licença. Uma dor gigantesca. Indescritível em palavras.
A impossibilidade de se conversar com a pessoa que faleceu, ouvir sua voz, saber sua opinião ou tocá-la é devastadora para aquele que ficou. Uma foto, uma música, um aroma ou um objeto bastam para lembrar o ente querido. A dor de sua ausência reaparece a cada instante e cada vez mais forte. É impossível parar essa dor. Ela sangra incessantemente dentro da pessoa. Questionamentos acerca do sentido da vida aparecem e desolam familiares e amigos. A culpa também surge, pois é muito comum pensar que poderia ter sido feito mais para a pessoa viver. Portanto, é uma fase repleta de emoções tremendamente dolorosas sentidas cotidianamente. Em resumo, é o próprio inferno vivido na terra. É uma dor maior que a própria pessoa e que parece que vai matá-la. O que de certa forma seria um alívio para esta nesse momento terrivelmente doloroso.
Mas isso não é possível de acontecer sem ser de forma trágica. A vida continua e só há uma forma de salvação que eu acredito que possa diminuir tamanha dor. É preciso lutar para que o coração não se empedre para receber o amor daqueles que ficaram. A amargura provocada pela morte precisa ser superada, na medida do possível e aos poucos, pela alegria e doçura da vida.
De nada adianta negar, fugir ou sufocar a dor. Só existe um caminho para superá-la. Enfrentá-la! Com muita perseverança e força. Caso contrário, o pior pode acontecer: Morrer em vida. Tornar-se uma pessoa extremamente amarga, dura, sem brilho nos olhos e sem a capacidade de aproveitar verdadeiramente os bons momentos que a vida ainda pode lhe proporcionar.
Com boas intenções é comum que familiares e amigos evitem ouvir a dor daquele que ficou, pois não suportam em si mesmos a dor da perda ou acreditam ingenuamente que ao conseguirem evitar a lembrança da perda também evitarão o impacto da dor. Assim, preferem não tocar no assunto ou, pior, forçar uma alegria falsa. Neste contexto, a solidão assolapa o coração daquele que ficou e torna cada vez mais insuportável e dolorosa a sua vida.
É neste momento que a psicoterapia se torna fundamental, pois facilita o processo de elaboração do luto e torna a perda menos dolorosa.
Acredito que ao superar a dor da perda, a pessoa vive melhor. Mais livre. Passa a perceber como são preciosos cada momento que desfruta com as pessoas que são importantes em sua vida. Passa a não gastar mais energia com discussões irrelevantes. Desenvolve plena e total consciência de que a vida é valiosa demais para dar atenção para esses pormenores.
Portanto, não esperem que alguém querido morra para conseguirem dar valor para sua vida ou das pessoas que você ama. Viva bem a sua vida! Agora! Coragem! Mostre o seu amor a quem ama. Beije-os e abrace-os! Nada é mais prazeroso na vida do que isso.

domingo, 18 de março de 2012

Não precisamos de títulos

Só agora perto de completar dois anos de sua partida é que me dou conta de que, existe título para todas as pessoas que perdem entes queridos. Estava eu pesquisando na internet e, observei com mais atenção os comentários de algumas pessoas que dizem: " quando perdemos os pais ficamos orfãos, quem perde a esposa ou esposo, fica viúvo ou viúva, quando perdemos um filho(a) não existe uma denominação. Deve ser por causa da dor..." Fiquei pensando nisto bastante e realmente é verdade como podemos chamar pais que ficaram sem seus filhos por atos de violência?. Mas, o que acontece é o seguinte, não precisamos de títulos, precisamos de conforto, de justiça, de apoio, de amor e de compreensão. Alguns pais ainda encontram na justiça dos homens uma forma de condenar os seus algozes, levando-os à prisão, mesmo sabendo que pouco tempo depois estarão de volta às ruas, o que na realidade parece indecente e injusto para aqueles que ficaram sem a presença da pessoa amada.Mas, que não se tem a quem recorrer para que a situação modifique e, por conta disso alguns acreditam que fazer justiça com as próprias mãos, será um consolo,um grande alívio poi, crê que assim está fazendo a verdadeira justiça.A dor é tão constante e após cometer o mesmo erro começa a perceber que criou mais um desconforto,se tornou um igual, e não trará de volta aquele que partiu e ainda estará condenando a si, não só à prisão dos homens mas a sua prisão interna, a consciência. Acredito numa frase que li no evangelho de Jesus, Morta a cobra não se elimina o veneno. Então vem uma outra questão, aos pais que ficaram sem seus filhos e não tem a quem levar para prisão? A quem condenar? Realmente não sei como seria se o homem que tirou a vida da minha filha, se ele ainda estivesse vivo o que eu faria. Talvez fosse pior a minha dor. Não haveria condenação para ele pois, dez, vinte, trinta, cem anos não justificaria nem tampouco iria fazer dele um homem melhor, não para mim. Sempre iria vê-lo como o homem que tirou a oportunidade de uma mãe educar seu filho, do filho crescer de forma saudavel e com uma vida cheia de amor e esperança, e mais que isso, tirou a oportunidade dela de crescimento como ser. Quando ele tirou a sua própria vida, transformou-se num condenado à vista de Deus e é nessa justiça que verdadeiramente confio e acredito. Não precisou ser condenado pelos homens, embora o tenha sido por muitas pessoas. Por tudo isso falo a todos os pais que estão hoje sem seus filhos que aguardem a justiça de Deus, embora não seja muito fácil diante da dor e do sofrimento, é necessário que creiamos que o plantio é incerto mas a colheita é obrigatória. E disso não podemos fugir. Sinto saudades.