quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O Tempo!

O tempo passa. Mais um ano se vai, virada do ano e eu estou aqui refletindo sobre tudo que aconteceu nesse longo período sem a minha filha, mas, em nenhum instante esqueço que tenho meus outros dois filhos, creio até que nos aproximamos mais, buscamos ficar mais unidos embora distantes por morar em cidades diferentes. Nosso filho Caio, cada dia mais belo crescendo muito rápido e ficando  muito mais esperto. Tenho pensado muito em muita coisa e uma das coisas que tenho pensado nos últimos dias do ano é na forma como tudo aconteceu e me perguntado por que essas lembranças não se apagam automaticamente, se temos o poder de esquecer coisas boas muita das vezes belas por que então não conseguimos apagar, eliminar do nosso registro essas lembranças tão dolorosas, tento na maioria das vezes lembrar das traquinagens de Heide quando criança, das gracinhas que ela fazia na adolescência e de como era brincalhona de como era também comediante mas, como que automatizado o cérebro retorna ao dia em que passei ligando e enviando mensagem sem obter resposta, de quanto orei implorando aos anjos protetores que a trouxesse de volta, de como enviei mensagem para o seu algoz para que ele a libertasse em nome de Deus, que lembrasse do seu filhinho. Pergunto aos céus todos os dias onde eu errei.Pergunto a Deus como ela está   e peço a Deus que a ajude no aprendizado do perdão.
Este é um dos grandes desabafos que faço, não tem sido fácil pra mim nos últimos 3 anos e meio que é o tempo completo da sua partida, não gosto mais do meu trabalho, nem do convívio com algumas pessoas, quero ir embora desta cidade que me traz tantas recordações, quero fazer algo que me preencha este vazio, gostaria muito de escrever a história da minha passagem pela terra mais não sei por onde começar, tenho tido muita pena de Zé que hoje se encontra em pior situação que todos, internado numa clinica psiquiatrica pois era uma pessoa doente da alma e ficou muito pior depois do desencarne da filha que ele tanto amava, penso muito na questão do resgate que tanto se fala na espiritualidade e sempre questiono sobre que mais tenho ainda que resgatar.
Hoje 1º de janeiro de 2014 mês em que minha filha Heide nasceu daqui a nove dias ela completaria 32 anos e tantas perguntas ainda sem respostas. Ainda hoje me pergunto aonde foi parar a arma que foi usada no disparo, quem mais estava lá, ou se passou em seguida e levou a arma, por que não levou outras coisas, dinheiro, celular, não depenou o carro. Aonde ele passou a noite com ela, são muitas perguntas sem respostas.
Tenho escutado de algumas pessoas que não importa saber detalhes do que realmente aconteceu, para eles seria um sofrimento a mais, melhor deixar como está. Não entendem a cabeça de uma mãe que viu sua filha sair numa tarde do dia 15 de junho e retornar dois dias depois para o IML numa maca para ser periciada e ter a possibilidade de ver o desespero e o medo estampado em seu rosto. Três longos anos e meio e não consigo esquecer nada, nenhum detalhe.
Tenho buscado na fé que tenho num Deus que sei me amparar e me dar forças para suportar tudo e colocar alegria em minha vida por causa de Caio que é a minha grande esperança de vida, minha vontade de viver e progredir. Ele sempre diz pra mim, "mamãe você é rica", acho interessante e engraçado. Não esquece da sua mãe, acho lindo a forma como ora por ela todas as noites e como pede proteção a Deus pra ela e também para o pai.
Espero de verdade que este ano de 2014 seja um ano de mudanças para mim e para Caio, quero ir embora de Itabuna, fazer outras coisas inclusive aprender a tocar piano para voltar a cantar, me dedicar a um  trabalho que sempre amei e quero muito dar continuidade junto com um grupo de amigos irmãos de atendimento espiritual, "dê de graça aquilo que de graça recebeste" disse o MESTRE e eu sinto que chegou o momento de voltar e me reunir ao grupo. Estou em tuas mãos Senhor.