segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Fim de Ano, ....Saudades

Todos os anos, próximo a data de natal, ela sempre queria saber o que eu queria de presente, a a resposta era quase sempre a mesma "o que você me der estárá perfeito", e sempre recebia presentes que gostava, livros, roupas, flores, perfume, como era bom. Ela sempre vinha primeiro a minha casa, me enchia de beijos e dizia que gostaria de poder me dar coisas melhores, mas, eu já tinha o que havia de melhor, SEU AMOR e o AMOR do seu filho. Passados dois natais, e a falta, a ausência e a saudade, que saudade. Meu maior presente de natal seria poder vê-la e dizer o quanto a amo, e como fui feliz sendo sua mãe, o quanto foi importante nesta minha vida. As vezes não compreendo o porquê. Quero sempre acreditar que os anjos são chamados pra desempenhar sua missão em outra parte do universo. Quero que me perdoe por não ter conseguido defendê-la quando precisou, se não pude impedir. Quero que saiba que luto dia a dia para que nosso filho cresça saudavel, forte, corajoso e amoroso. Tenho feito tudo que posso para que ele não sofra tanto a sua ausência, mas não deixo de falar sobre você, as musicas que cantava para ele, os filmes que assistiam, das coisas que faziam e que ele sente tanta saudade. Sei que ele jamais te esquecerá, por vários motivos, por ser minha filha, por ser sua mãe, por estar presente na vida dele, por ele te amar tanto, são tantos os motivos filha que o faz lembrar sempre de sua mãezinha!!! Desejo ir-me embora desta cidade, e me apareceu duas oportunidades, creio que Deus, pois tenho colocado em suas mãos a minha vida, creio verdadeiramente que terei a sua permissão para partir seja de uma forma ou outra.A você minha filha amada, o meu amor, um Natal repleto de bençãos, e que seus dias sejam de muita luz, paz e serenidade, para que possas trilhar novos caminhos. Nós te amamos por toda eternidade.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

NÃO MATARÁS - 5º MANDAMENTO

Pais E Filhos
Legião Urbana

Estátuas e cofres e paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu.
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender.

Dorme agora,
é só o vento lá fora.

Quero colo! Vou fugir de casa!
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo, tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três.

Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito.

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há.

Me diz, por que que o céu é azul?
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos
Que tomam conta de mim.

Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar.

Já morei em tanta casa
Que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais.

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há.

Sou uma gota d'água,
sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não te entendem,
Mas você não entende seus pais.

Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer?

Perda de Pessoas Amadas e Mortes Prematuras

SANSÃO
Antigo membro da Sociedade Espírita de Paris, 1863


21 – Quando a morte vem ceifar em vossas famílias, levando sem consideração os jovens em lugar dos velhos, dizeis freqüentemente: “Deus não é justo, pois sacrifica o que está forte e com o futuro pela frente, para conservar os que já viveram longos anos, carregados de decepções: leva os que são úteis e deixa os que não servem para nada mais; fere um coração de mãe, privando-o da inocente criatura que era toda a sua alegria”.

Criaturas humanas, são nisto que tendes necessidades de vos elevar, para compreender que o bem está muitas vezes onde pensais ver a cega fatalidade. Por que medir a justiça divina pela medida da vossa? Podeis pensar que o Senhor dos Mundos queira, por um simples capricho, infligir-vos penas cruéis? Nada se faz sem uma finalidade inteligente, e tudo o que acontece tem a sua razão de ser. Se perscrutásseis melhor todas as dores que vos atingem, sempre encontraria nela a razão divina, razão regeneradora, e vossos miseráveis interesses representariam umas considerações secundárias, que relegaríeis ao último plano.

Acreditai no que vos digo: a morte é preferível, mesmo numa encarnação de vinte anos, a esses desregramentos vergonhosos que desolam as famílias respeitáveis, ferem um coração de mãe, e fazem branquear antes do tempo os cabelos dos pais. A morte prematura é quase sempre um grande benefício, que Deus concede ao que se vai, sendo assim preservado das misérias da vida, ou das seduções que poderiam arrastá-lo à perdição. Aquele que morre na flor da idade não é uma vítima da fatalidade, pois Deus julga que não lhe será útil permanecer maior tempo na Terra.

É uma terrível desgraça, dizeis, que uma vida tão cheia de esperanças seja cortada tão cedo! Mas de que esperanças querem falar? Das esperanças da Terra onde aquele que se foi poderia brilhar, fazer sua carreira e sua fortuna? Sempre essa visão estreita, que não consegue elevar-se acima da matéria! Sabeis qual teria sido a sorte dessa vida tão cheia de esperanças, segundo entendeis? Quem vos diz que ela não poderia estar carregada de amarguras? Considerais como nada as esperanças da vida futura, preferindo as da vida efêmera que arrastais pela Terra? Pensais, então, que mais vale um lugar entre os homens que entre os Espíritos bem-aventurados?

Regozijai-vos em vez de chorar, quando apraz a Deus retirar um de seus filhos deste vale de misérias. Não é egoísmo desejar que ele fique, para sofrer convosco? Ah! essa dor se concebe entre os que não tem fé, e que vêem na morte a separação eterna. Mas vós, espíritas, sabeis que a alma vive melhor quando livre de seu invólucro corporal. Mães, vós sabeis que vossos filhos bem-aventurados estão perto de vós; sim, eles estão bem perto: seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos vos protegem, vossa lembrança os inebria de contentamento; mas também as vossas dores sem razão os afligem, porque revela uma falta de fé e constituem uma revolta contra a vontade de Deus.

Vós que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações de vosso coração, chamando esses entes queridos. E se pedirdes a Deus para os abençoar, sentireis em vós mesmas a consolação poderosa que faz secarem as lágrimas, e essas aspirações sedutoras, que vos mostram o futuro prometido pelo soberano Senhor.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

PERDÃO



Há uma história que nos fala de um menino, por nome Moc. À sua tribo haviam chegado colonos brancos, e um deles, um tal Sr. Cohen, estabelecera ali uma loja. Moc armara uma arapuca na floresta, para apanhar uma raposa. Na manhã seguinte, viu que a armadilha funcionara, mas que o animal escapara. Notou então na lama umas pegadas que não podiam ser outras senão as do velho Sr. Cohen. Evidentemente, ele furtara o animal. Moc ficou enfurecido. O conselho que lhe dera o missionário, de que perdoasse a seus inimigos, pareceu-lhe impossível de seguir. Ao chegar à loja e encontrar-se frente a frente com o Sr. Cohen, repetiu consigo mesmo sua velha divisa hindu.

"Um bom hindu não esquece nunca". Naquela tarde, dirigia-se à praia, quando foi atraído por uns gritos. Rebentara uma tempestade, e um homem havia sido arrastado pelo mar. Na praia, a senhora Cohen torcia as mãos. Moc pôs-se ao largo em sua canoa, remando por sobre as ondas revoltas. Duro era aquele trabalho, e foi com o risco da própria vida que conseguiu trazer à praia o Sr. Cohen, prestes a afogar-se.

Ao abrir o homem os olhos, compreendendo o que se havia passado, perguntou: "Por que arriscou a sua vida para salvar um homem que lhe fizera uma injustiça?" E Moc respondeu: "Porque eu quero ser um bom hindu, e um bom hindu retribui o mal com o bem. Já tomei a minha vingança".

Que exige mais valor – esquecer uma injustiça ou reter rancor contra alguém?

– Luíza E. Bechenstein.

Por que criei um blog.

Este blog foi criado, como uma forma de manter acesa a história que sei nunca será esquecida, pois foi muito dolorida, mas também como uma forma de suavisar a dor que parece latente com mensagens de carinho, amor e perdão e, para tornar mais facil contar ao seu filho tudo que ocorreu de uma maneira mais suave, mais sei que não menos dolorida.

Por que os homens matam as mulheres Michela Marzano Filósofa italiana, doutora em filosofia pela Scuola Normale Superiore di Pisa e atual professora da Universidade de Paris V ( René Descartes).

Eles continuam sendo chamados de crimes passionais. Porque o motivo seria o amor. Aquele que não tolera incertezas e falhas. Aquele que é exclusivo e único. Aquele que leva o assassino a matar a mulher ou a companheira justamente porque a ama. Como diz Don José na obra de Bizet antes de matar a amante: "Fui eu que matei a minha amada Carmen". Mas o que resta do amor quando a vítima nada mais é do que um objeto de posse e de ciúmes? Que papel ocupa a mulher dentro de uma relação doente e obsessiva que a priva de toda a autonomia e liberdade? Durante séculos, o "despotismo doméstico", como chamava o filósofo inglês John Stuart Mill no século XIX, foi justificado em nome da superioridade masculina. Dotadas de uma natureza irracional, "uterina", e úteis somente – ou principalmente – para a procriação e para a gestão da vida domésticas, as mulheres tinham que aceitar aquilo que os homens decidiam para elas (e para o seu bem) e submeter-se à vontade do "pater familias".

Desprovidas de autonomia moral, eram obrigadas a encarnar toda uma série de "virtudes femininas", como a obediência, o silêncio, a fidelidade. Castas e puras, tinham que se preservar para o legítimo esposo. Até à renúncia definitiva. Ao desinteresse, substancialmente, pelo próprio destino. A menos que aceitassem a exclusão da sociedade. Serem consideradas mulheres de má vida. E, em casos extremos, sofrer a morte como punição. As lutas feministas do século passado deveriam ter feito com que as mulheres saíssem desse terrível impasse e deveriam ter esmigalhado definitivamente a divisão entre "mulheres de bem" e "mulheres de má vida". Em nome da paridade homem/mulher, as mulheres lutaram duramente para reivindicar a possibilidade de ser, ao mesmo tempo, mulheres, mães e amantes. Como dizia um slogan de 1968: "Não mais putas, n ão mais santas, mas apenas mulheres!". Mas as relações entre os homens e as mulheres mudaram verdadeiramente? Por que os crimes passionais continuam sendo considerados "crimes à parte"? Como é possível que as violências contra as mulheres aumentem e sejam quase transversais a todos os âmbitos sociais?

Quanto mais a mulher busca se afirmar como igual em dignidade, valor e direitos ao homem, mais o homem reage de modo violento. Só o medo de perder algumas migalhas de poder o torna vulgar, agressivo, violento. Graças a algumas pesquisas sociológicas, hoje sabemos que a violência contra as mulheres não é mais só o único modo em que um louco, um monstro, um doente pode se expressar. Um homem que provém necessariamente de um círculo social pobre e inculto. O homem violento pode ser de boa família e ter um bom nível de instrução. Pouco importa o trabalho que ele faça ou a posição social que ocupe. Trata-se de homens que não aceitam a autonomia feminina e que, muitas vezes por fraqueza, querem controlar a mulher e submetê-la à sua própria vontade. Às vezes são inseguros e têm pouca confiança em si mesmos, mas, ao invés de procurar entender o que exatamente não vai bem em sua própria vida, acusam as mulheres e as consideram responsáveis pelos seus próprios fracassos. Progressivamente, transformam a vida da mulher em um pesadelo. E quando a mulher busca refazer a vida com um outro, procuram-na, ameaçam-na, batem nela, às vezes matam-na.

Paradoxalmente, muitos desses crimes passionais nada mais são do que o sintoma do "declínio do império patriarcal". Como se a violência fosse o único modo para evitar a ameaça da perda. Para continuar mantendo um controle sobre a mulher. Para reduzi-la a mero objeto de posse. Mas quando a pessoa que se ama nada mais é do que um objeto, não só o mundo relacional se torna um inferno, mas o amor também se dissolve e desaparece. Certamente, quando se ama, se depende em parte da outra pessoa. Mas a dependência não exclui jamais a autonomia. Pelo contrário, às vezes é justamente quando somos conscientes do valor que uma outra pessoa tem para nós que podemos entender melhor quem somos e o que queremos. Como escreve Hannah Arendt em uma carta ao marido, o amor permite que nos demos conta de que, sozinhos, somos profu ndamente incompletos, e que só quando estamos ao lado de uma outra pessoa é que temos a força para explorar zonas desconhecidas do nosso próprio ser.

Mas, para amar, é preciso também estar pronto para renunciar a qualquer coisa. O outro não está à nossa completa disposição. O outro faz resistência diante da nossa tentativa de tratá-lo como uma simples "coisa". É tudo isso que os homens que matam por amor esquecem, não sabem ou não querem saber. E que pensam que estão protegendo a própria virilidade negando ao outro a possibilidade de existir.

Fonte: Artigo publicado no portal do jornal La Repubblica
Data: 30/7/2010

domingo, 9 de outubro de 2011

A separação não é o fim de tudo

"Começar de novo e contar comigo
vai valer a pena ter sobrevivido!"
Ivan Lins e Victor Martins

São raras as pessoas que lidam bem, de uma forma saudável, com a separação. A maioria sofre muito, fica abalada, deprimida, tem dificuldades em recomeçar a vida sozinha. São muitas as emoções despertadas pela separação. Todas essas emoções podem ser reduzidas a uma enorme e insuportável dor. A sensação, nessa hora, é de que a dor nunca mais vai passar.

No entanto, ela passa, pode acreditar. Claro que existem algumas coisas que podemos e devemos fazer para atravessar esse processo que pode ser tão doloroso. É um processo difícil, mas podemos sair dele mais fortes e conscientes.

As separações e os divórcios nunca foram tão numerosos como nos dias de hoje. Vamos pensar em alguns pontos: Por que o rompimento é tão mal? Por que sofremos tanto com o fim de uma relação? Por que a separação é sentida como tão negativa? Você já se questionou sobre isso alguma vez? Você tem essas respostas?

Aprender com os erros

Para podermos falar de como nos separamos, precisamos antes entender o modo como nos relacionamos. Sempre vivemos na crença do "amor eterno", que tem de durar a vida toda. A verdade é que nos recusamos a encarar o momento da separação como ele é, ou seja: uma passagem. Então por que tanta dificuldade? Vamos tentar entender.

No amor, existe a arte da ruptura, assim como a da conquista. Então, podemos dizer que a separação é a repetição, em negativo, da surpresa do amor que acaba sendo valorizado e reconhecido pela dor. A separação de uma forma dolorida é uma maneira de anunciar que o amor existiu e que se viveu uma verdadeira historia de amor.

Então, se não sofremos com a separação fica no ar a dúvida de que realmente era um amor verdadeiro. "Será que vivi uma história de amor ou apenas um 'delírio amoroso', uma paixão passageira"?

Um ponto que nos atrapalha muito é a vergonha que sentimos quando terminamos uma relação. Ora, com o rompimento vem junto a idéia de fracasso, derrota, incompetência e.......até mesmo de morte! Ora, quando pensamos assim deixamos de ver que é possível aprender com essa relação.

Precisamos ver que o fim de um amor faz parte da nossa existência. É um fim de um ciclo. Nada é eterno. Há tempo de plantar e colher. Cada um de nós tem sua própria experiência e suas necessidades. Quando um relacionamento acaba devemos analisar nosso comportamento pois assim não repetimos os mesmos erros em um próximo relacionamento.

Guardando os momentos bons!

Terminamos mal nossas histórias de amor porque não sabermos lidar com as experiências e lembranças de relações passadas. Uma das maiores dificuldades é como lidar com a felicidade que vivemos e como utilizá-la agora. Esquecemos que o fim de um amor é também parte da nossa historia. O que vivemos nessa história de amor, as alegrias, as tristezas. Tudo ficará marcado em nossa história de vida.

Seja corajoso o bastante para aceitar a ajuda das pessoas. É saudável procurar consolo e apoio dos amigos quando terminamos uma história de amor. É bom compartilhar os sentimentos, as impressões, alguém em quem você confia e se sinta à vontade. Se for muito doloroso para você, não hesite em procurar o apoio de um psicoterapeuta.

O mais importante é não se isolar da vida, abrir mão das coisas que você gosta. Além do contato com parentes e amigos, procure ficar cercado de coisas que você sempre quis: um aquário com peixes ou mesmo alguns vasos de plantas.

Cuidar de uma planta todos os dias ou até mesmo alimentar um peixinho dá a sensação de que a vida continua e está aí para ser vivida.

"Saber viver o fim de um amor é saber viver!"
(Franco La Cecla)

Kátia Horpaczky
Psicóloga Clinica, Psicoterapeuta Sexual de Família e Casal
PERDÃO



Há uma história que nos fala de um menino, por nome Moc. À sua tribo haviam chegado colonos brancos, e um deles, um tal Sr. Cohen, estabelecera ali uma loja. Moc armara uma arapuca na floresta, para apanhar uma raposa. Na manhã seguinte, viu que a armadilha funcionara, mas que o animal escapara. Notou então na lama umas pegadas que não podiam ser outras senão as do velho Sr. Cohen. Evidentemente, ele furtara o animal. Moc ficou enfurecido. O conselho que lhe dera o missionário, de que perdoasse a seus inimigos, pareceu-lhe impossível de seguir. Ao chegar à loja e encontrar-se frente a frente com o Sr. Cohen, repetiu consigo mesmo sua velha divisa hindu.

"Um bom hindu não esquece nunca". Naquela tarde, dirigia-se à praia, quando foi atraído por uns gritos. Rebentara uma tempestade, e um homem havia sido arrastado pelo mar. Na praia, a senhora Cohen torcia as mãos. Moc pôs-se ao largo em sua canoa, remando por sobre as ondas revoltas. Duro era aquele trabalho, e foi com o risco da própria vida que conseguiu trazer à praia o Sr. Cohen, prestes a afogar-se.

Ao abrir o homem os olhos, compreendendo o que se havia passado, perguntou: "Por que arriscou a sua vida para salvar um homem que lhe fizera uma injustiça?" E Moc respondeu: "Porque eu quero ser um bom hindu, e um bom hindu retribui o mal com o bem. Já tomei a minha vingança".

Que exige mais valor – esquecer uma injustiça ou reter rancor contra alguém?

– Luíza E. Bechenstein.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O Perdão não é vendido em farmácia

GESTOS DE GRANDEZA MORAL
“Perdão foi feito pra gente pedir”, cantava o inesquecível Ataulfo Alves, e eu
acrescentaria: perdão foi feito para ser dado também. Foi o que aconteceu com os
tenores espanhóis Plácido Domingo e José Carreras, os quais se tornaram inimigos em
1984, devido a questões políticas.
Em 1987, porém, José Carreras descobriu que tinha leucemia. Submetendo-se a
tratamentos sofisticados, viajava mensalmente aos Estados Unidos. Sem poder trabalhar,
e com o alto custo das viagens e do tratamento, logo sua razoável fortuna acabou.
Sem condições financeiras para prosseguir com o tratamento, Carreras tomou
conhecimento de uma clínica em Madrid, denominada Fundación Hermosa, criada com a
finalidade única de apoiar a recuperação de leucêmicos. Graças ao apoio dessa clínica,
ele venceu o câncer. Voltando a cantar e a receber altos cachês, José Carreras tratou
logo de se associar à Fundação, para ajudá-la financeiramente.
Foi então que, lendo o estatuto da Fundación Hermosa, descobriu que seu
fundador, maior colaborador e presidente era Plácido Domingo. Mais do que isso,
Carreras descobriu que a clínica fora criada, em princípio, para atender exclusivamente a
ele mesmo. Plácido se mantinha no anonimato para não constrangê-lo a aceitar o auxílio
de seu inimigo.
Momento muito comovente aconteceu durante uma apresentação de Plácido, em
Madrid. De forma imprevista, Carreras interrompeu o evento e se ajoelhou a seus pés.
Pediu desculpas a Plácido publicamente, agradecendo o benefício de seu
restabelecimento.
Mais tarde, uma repórter perguntou, numa entrevista a Plácido Domingo, por que
ele criara a Fundación Hermosa; afinal, além de beneficiar um inimigo, ele concedera a
oportunidade de reviver Carreras, um dos poucos artistas que poderiam lhe fazer alguma
concorrência. Sua resposta foi simplesmente a seguinte: “Porque uma voz como a dele
não se podia perder”. Diante de gestos de tamanha grandeza moral como os de Plácido e
Carreras, afirmamos que os dois, de fato, exemplificaram o perdão e a humildade
ensinados por Jesus.
NÃO É VENDIDO NAS FARMÁCIAS
Para irradiarmos a luz do perdão, não resta dúvida de que precisamos sair da
“tolerância zero” para a “tolerância máxima”, recomendada e vivida por Jesus. Somente
perdoando incondicionalmente aos nossos inimigos, e talvez o mais difícil, àqueles que
tiraram a vida de nossos familiares, é que poderemos promover definitivamente a paz na
Terra. No entanto, se desejamos concretamente a paz, é preciso então eliminar estes
sentimentos inferiores, usando o perdão em qualquer circunstância de nossas vidas.
Se, para irmos a forra de uma violência recebida contra nós, ou contra os nossos
familiares, revidarmos com outro ato violento, ou seja, “pagando na mesma moeda”,
cairemos num circulo vicioso, alimentando a própria violência. Foi por isso que Jesus,
antes de sair da Terra dependurado numa cruz, apontou-nos o caminho e a única saída
para a paz, ao rogar a Deus o perdão para seus algozes. Não há outra saída mesmo!
Sem perdão, não há solução para a paz!
Portanto, se queremos ter paz e saúde em nossas vidas (e este, acredito, é um dos
maiores sonhos de todo ser humano), devemos usar o remédio mais eficaz receitado por
Jesus: o perdão! Mas atenção: ele não é vendido nas farmácias, porém pode ser
encontrado à nossa disposição no íntimo de nossa alma. E mais: não custa nada, apenas
a nossa decisão de usá-lo.
Gerson Simões Monteiro
é Presidente da Fundação Cristã-Espírita
Cultural Paulo de Tarso
e-mail: gerson@radioriodejaneiro.am.br
Quando você conseguir superar graves problemas de relacionamentos,
não se detenha ...na lembrança dos momentos difíceis,
mas na alegria de haver atravessado
mais essa prova em sua vida.

Quando sair de um longo tratamento de saúde,
não pense no sofrimento
que foi necessário enfrentar,
mas na bênção de Deus
que permitiu a cura.

Leve na sua memória, para o resto da vida,
as coisas boas que surgiram nas dificuldades.
Elas serão uma prova de sua capacidade,
e lhe darão confiança diante de qualquer obstáculo.

Uns queriam um emprego melhor; outros, só um emprego.
Uns queriam uma refeição mais farta; outros, só uma refeição.
Uns queriam uma vida mais amena; outros, apenas viver.
Uns queriam pais mais esclarecidos; outros, ter pais.

Uns queriam ter olhos claros; outros, enxergar.
Uns queriam ter voz bonita; outros, falar.
Uns queriam silêncio; outros, ouvir.
Uns queriam sapato novo; outros, ter pés.

Uns queriam um carro; outros, andar.
Uns queriam o supérfluo; outros, apenas o necessário.

Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior.

A sabedoria inferior é dada pelo quanto uma pessoa sabe
e a superior é dada pelo quanto ela tem consciência de que não sabe.
Tenha a sabedoria superior.
Seja um eterno aprendiz na escola da vida.

A sabedoria superior tolera;
a inferior, julga;
a superior, alivia;
a inferior, culpa;
a superior, perdoa;
a inferior, condena.
Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar!

Chico Xavier

Quando você conseguir superar graves problemas de relacionamentos,
não se detenha ...na lembrança dos momentos difíceis,
mas na alegria de haver atravessado
mais essa prova em sua vida.

Quando sair de um longo tratamento de saúde,
não pense no sofrimento
que foi necessário enfrentar,
mas na bênção de Deus
que permitiu a cura.

Leve na sua memória, para o resto da vida,
as coisas boas que surgiram nas dificuldades.
Elas serão uma prova de sua capacidade,
e lhe darão confiança diante de qualquer obstáculo.

Uns queriam um emprego melhor; outros, só um emprego.
Uns queriam uma refeição mais farta; outros, só uma refeição.
Uns queriam uma vida mais amena; outros, apenas viver.
Uns queriam pais mais esclarecidos; outros, ter pais.

Uns queriam ter olhos claros; outros, enxergar.
Uns queriam ter voz bonita; outros, falar.
Uns queriam silêncio; outros, ouvir.
Uns queriam sapato novo; outros, ter pés.

Uns queriam um carro; outros, andar.
Uns queriam o supérfluo; outros, apenas o necessário.

Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior.

A sabedoria inferior é dada pelo quanto uma pessoa sabe
e a superior é dada pelo quanto ela tem consciência de que não sabe.
Tenha a sabedoria superior.
Seja um eterno aprendiz na escola da vida.

A sabedoria superior tolera;
a inferior, julga;
a superior, alivia;
a inferior, culpa;
a superior, perdoa;
a inferior, condena.
Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar!

Chico Xavier

domingo, 28 de agosto de 2011


No dia 24/11/2010 escrevi para minha filha em forma de prece, assim:

Jesus, sei Senhor que és o único que sabe o que se passa no meu íntimo e, te agradeço meu Deus por me presentear com a Graça de poder criar o meu neto/filho, orientando-o para que se torne um homem de bem. Deus ampara a minha filha Heide, dá-lhe a água da sua fonte divina e fecunda, abranda o seu coração aflito com a luz do seu Amor.
Põe no seu coração amoroso, a certeza de que a fé tudo cura e eleva nossa alma. Dá-lhe de beber a água da esperança e, luz para sua ascenção espiritual.
Heide, filha de minha alma, sempre me escutaste.
Sempre foste a minha menina, minha pequena, minha flor.
Acordaste hoje no mundo verdadeiro, real.
Busca então filha a prece, lembra da mamãe que ficou a orar por ti.
Busca sempre Jesus, pois Ele disse: "Aquele que em mim crê não perece".
Lembre-se que Ele é o caminho, a verdade e a vida e, que não chegaremos ao PAI senão por ELE.
Perdoa filha, ao seu algoz e a si mesma. Quando chorares de saudade, lembre-se, que esse tempo longo só conta para nós que aqui ficamos.
Fortalece-te através da Oração, busca o aprendizado, trabalhe, doe-se para que possas ter condição de ajudar àqueles que precisam mais que você.
Cura tua alma, sara tuas dores, com o sopro da oração. Dedica-te ao teu próximo e ora.
Não fuja jamais, receba a orientação dos auxiliares de Jesus, siga sempre os seus passos e não se perderá no caminho.
Lembre-se meu amor que Jesus é a nossa Fortaleza. Deus te Proteja, Te Ilumine e ao seu novo caminho, pois sei que um dia, não sei exatamente quando ele nos unirá outra vez. E se for da Permissão Dele, quero ser novamente sua mãe. Deus te abençoe.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Um breve relato sobre


Tenho pesquisado todos os dias, sobre o comportamento humano, tentando descobrir o que acontece com as pessoas que não sabem aceitar uma negativa. Minha filha viveu um casamento tumultuado, basicamente seis anos de enganos. Enganos porque na realidade ela achava que o seu amor era o bastante para conseguir superar todos os problemas, todas as discussões, todos abandonos. Tiveram um filho e,em todos esses anos de convivência, o filho crescendo e acompanhando os disturbios dos pais, por conta disso começou a ter problemas de saúde, que os médicos diagnosticaram como refluxo. Hoje graças a Deus saudavel, não teve mais nenhuma crise de refluxo, está forte e muito bem.
Outubro de 2009 ela me chamou para falar das suas decepcões e frustações que o casamento vinha deixando mas, ainda assim continuava tentando pois sempre dizia que deveria continuar tentando pois, ainda tinha um sentimento de carinho por ele e respeito. Em meados de novembro outra crise e novamente minha filha me procura e fala pra mim, "mãe está ficando cada vez mais dificil conviver com Leo, estamos dormindo separados, decidimos que ele deve voltar para casa de seus pais ou arranjar um outro lugar para morar". Confessou para mim que o casamento realmente acabara e que estavam vivendo na mesma casa mas, não tinham mais nenhum contato. Durante anos eu ouvi isso, ela voltava para minha casa e passava alguns dias ele pedia perdão e, estavam juntos novamente. Foi então que passei a ter a atitude de não me envolver diretamente mas, dizia sempre que o dia que ela realmente decidisse que a sua vida teria um novo rumo sem seu companheiro, ela e o filho poderiam morar comigo pro resto de suas vidas.
Dezembro de 2009, mais uma vez Heide me procura na padaria, tinhamos uma padaria, Fomos ao escritório e seu rosto estava endurecido, olhar entristecido, como é dificil para uma mãe ver um(a) filho(a), sofrendo sem poder tomar nenhuma resolução, sempre disse para os meus filhos que a vida é para ser vivida com plenitude e sabedoria e, que só o que vale é ser feliz, vivendo cada momento, cada dia como se fosse o último, ser honesto consigo e com o próximo e, sempre se colocar no lugar do outro quando tomarmos qualquer decisão ou atitude, não dizer coisas que venham a se arrepender depois e, sempre digo para os que ainda estão aqui; amem-se verdadeiramente pois, não podemos amar o próximo se não nos amarmos. Disse Jesus " Amarás o Senhor teu Deus de todo coração, de toda sua Alma e, ao teu próximo como a Ti mesmo".
Foi neste dia que Heide chamou a mim e ao meu esposo e pediu para voltar para casa pois a situação já estava ficando insustentável. O nosso apartamento estava vazio, nós estávamos passando um tempo na casa da minha sogra, para ajudá-la a cuidar da sua máe que tem o mal de alzeimer. Falamos pra ela que se realmente isso era definitivo ela poderia mudar a hora que quisesse, o apartamento precisava apenas de alguns ajustes como rede de proteção por causa do pequenino.
Inicio de janeiro ela e o filho passaram a viver novamente sob o meu teto. Começou a viver mais tranquila, mais feliz e cheia de planos para o futuro.Fevereiro, março, abril se passaram, eu e Leco de vez em quando íamos dormir em casa era uma alegria quando chegavamos, ela sempre falava com carinha de dengo "ah mãezinha venham logo pra casa, a gente fica aqui tão só"". Nós respondíamos em breve, em maio estaremos aqui, o tio de Leco iria chegar do Rio para ajudar com a mãe dele e voltaríamos para casa.
Maio dia 5 de 2010 retornamos e a alegria foi geral. Sua rotina, pegava a moto pela manhã, ia para o trabalho no SAC e depois ia para o GAPA, chegava às 17/18:00h tomava banho com o filho, brincava um pouco com ele, conversava um pouco comigo e com Leco meu companheiro, por quem ela tinha muito carinho e respeito e depois pegava a moto e se encaminhava para faculdade, estava cursando direito.
Ainda hoje quando estou em casa assistindo tv por volta de dez horas(22:00h), ouço a porta da frente abrindo e ela perguntando "mãezinha você está ai em cima?". Nosso apartamento é um duplex e os quartos ficam na parte de cima. Eu respondia "estou", ela subia, chegava me beijava e deitava atravessada no pé da cama e ficava conversando as vezes coisas sérias e as vezes bobagens e ríamos, Leco adorava quando ela chegava pra conversar, assistir futebol(era São paulina)e, ficava uma bagunça danada na cama pois o filho só dormia as vezes quando ela chegava, mas estávamos todos felizes.
Durante todo esse período de separação o ex-marido, passou a me procurar para me pedir ajuda dizendo que foi preciso que ela tomasse essa medida para que ele realmente tomasse consciência que não suportaria a distância e que realmente a amava, queria sua familia de volta a qualquer custo, faria qualquer coisa para tê-los de volta. Em fevereiro eles foram para Ilhéus para tentar uma reaproximação a meu pedido. No retorno ela confessou pra mim que não tinha mais condição de refazer uma história que já tinha finalizado. Falei pra ela que então fosse bem clara com ele e buscasse seguir em frente e que deveriam manter um realionamento amigavel pois o filho não precisaria sofrer as consequências dos problemas causados pelos pais. Ela concordou e procurava manter uma atitude amigavel entre os dois.Final de abril ela veio até a mim para falar a respeito de um rapaz que se mostrou interessado nela e que a estava cortejando e ela estava gostando pois ele a tratava com muito respeito e começaram a sair.
Leo passou a segui-la e continuou me procurando para falar a respeito dos seus sentimentos e sempre dizia que queria a familia de volta, mas passou a ter umas atitudes diferentes e, eu e meu esposo começamos a conversar com Heide a respeito dele e pedíamos a ela que evitasse aparecer em público com o rapaz pois sabiamos que Leo estava seguindo seus passos obstinadamente. Mas ela sempre dizia que ele não sentia amor por ela que isso era posse, mas que não era capaz de cometer nenhum ato violento e, logo logo iria esquecer e, que até no orkut ele ja a tinha eliminado e colocado no perfil como solteiro e disponivel.
A última vez que ele conversou comigo ele disse saber que Heide não tinha mais nenhum sentimento de amor por ele mas que se ela o aceitasse de volta ele a queria assim mesmo, iriam embora daqui (Itabuna), iriam pra qualquer lugar que ela quisesse e procuraria ser feliz com seu filho e sua mulher.
Eu falei pra ele, "mas meu filho, como vc pode querer viver com alguém que você mesmo acaba de dizer que sabe que já não o ama mais? Pense meu filho que o amor só é válido se existe reciprocidade, como poderá ser feliz com alguém infeliz a seu lado isso não existe, vá ser feliz, encontre alguém que te ame, vcs estão unidos peo filho e apenas isso, cuidem dele para que ele não se torne uma criança infeliz o que mais importa hoje de tudo isso é seu filho, nunca o abandone." Ele chorou e fiquei penalizada, me abraçou e falou que eu tinha razão. Contei para ela e ela perguntou para mim, "mainha o que quer que eu faça, que eu volte a ter aquela mesma vidinha de prometo que vou mudar, uma semana bem e duas infeliz? Eu gosto muito dele mas o amor se perdeu no tempo, eu o respeito e quero o bem dele, mas quando eu digo não ele só está tomando uma atitude de menino mimado. Sempre que a gente conversa eu falo pra ele procurar fazer um mestrado, estudar pra concurso, ele tem um futuro brilhante mas sem mim, não posso mais mainha me permitir viver aquela vida tenho que pensar em meu filho também."
"Não filha, não te falei para você voltar, mas para saber que ele não está bem e preciso que você se reserve, evite confronto." Meu esposo conversava muito com ela sobre homem com orgulho ferido e se sentindo rejeitado, mas ela acreditava que ele não era capaz de fazer nada que viesse a machucá-la ou a seu filho. sempre que ele queria conversar ela nunca se negou.
Junho/2010 dia 15, chegou de Salvador e veio a nossa casa buscar o filho para assistir ao primeiro jogo do Brasil na copa. Ela tinha organizado uma festinha de reunião com os amigos do SAC e estva apenas esperando que ele viesse pegar o filhote. Eu estava em cima no meu quarto quendo comecei a ouvir uma discussão, ele pedindo a ela que saisse com ele para conversar e ela dizendo que não tinha mais nada a falar com ele, e que já estava atrasada as pessoas a estavam esperando e ele insistindo, foi quando eu interferi pedindo a ele que deixasse aquela conversa para outro dia, outra hora. Ela se foi e ele tambem, fui até a varanda e olhei para ele que estava com o olhar vermelho e transtornado, tive medo. Falei pra meu esposo, "Leco me deu medo, acho que Leo vai fazer uma bobagem, os olhos dele me disseram que ele vai cometer uma loucura. Tentei falar com ela mas não consegui, ia pedir para que ela não saisse com ele sozinha. Nesse dia ela resolveu ir para casa do namorado.
Dia 16 era o dia da festinha do filho na escola(encerramento de São João) e eu sempre costumava ligar para ela pela manhã mas nesse dia esqueci, liguei pra ele pra saber da camisa do filho e ele usou esse pretexto para sequestrá-la.
Eram 13:00h liguei para casa da sua mãe para saber se ele iria levar a camisa ou se eu pegaria lá quando descobri pelo desespero dela que algo ruim estva acontecendo.
Cheguei em casa, verifiquei tudo ela tinha voltado para casa, tomou banho e estva indo para o trabalho, deixou a moto ela nunca saia sem moto. Liguei para o trabalho e disseram que ela não tinha aparecido. Começou minha angústia, ninguém viu, não sabíamos onde procurar, não dormi, não mais consegui conciliar o sono, eu só orava e pedia a Deus que ela voltasse. A noite foi longa, liguei para o celular dela e dele durante toda a noite, mandei mensagem pra ele, nenhuma resposta.... o silêncio... a angústia e o pedido de socorro a Deus. Minha Fortaleza meu tudo é Jesus, minha súplica de mãe para que trouxesse de volta a minha filha, sei que ELE me colocou no colo e me deu forças e sabedoria para suportar o que estava por vir.
Dia 17/junho/2010 saímos a vasculhar em busca de ajuda da polícia militar, civil, jornais, as duas familias em desespero. Por volta das 15 ou 16horas não sei precisar o telefonema, o delegado me comunicando que foram encontrados, num local com um nome tenebroso (Volta da Cobra), nunca nem tinha escutado sobre isso nunca imaginei que existisse um local no mundo com um nome desses, mas minha filha estava lá, morta, morta pelo pai do seu filho, que logo a seguir cometeu outra atrocidade o suicido. Não pensou no filho, nos pais, irmãos, não pensou que essa atitude viria a acarretar sérios problemas para ambas as famílias. Não pensou em Deus, Não ouviu a voz do amor, não lembrou que a gente não morre e que a vida continua mesmo depois do corpo físico. Não tinha amor por ele mesmo como poderia amar ao próximo. Não pensou no filho... não pensou em nada a não ser no seu ego... e agora. Mas não consigo odiá-lo, eu o amava como a um filho, que pena meu Deus.
Mas Deus ELE é infinitamente perfeito e eu não consegui ver apenas a minha dor, mas principalmente a dor dos seus pais que não sabiam o que fazer, se sentiram perdidos, como poderiam imaginar que criariam um filho com tanto amor, educariam e o veriam crescer, ser um profissional na area de direito, um advogado com um futuro brilhante faria uma loucura dessas.
Agradeço ao BOM e MARAVILHOSO DEUS, por me amparar e me dar forças para suportar essa dor da separação e a saudade infinita, e permitir que ele tenha deixado o seu filho para me dar motivos pra continuar lutando. Mães não é facil perdoar se a gente não se coloca no lugar da outra mãe que não imaginou jamais que seu filho, aquele bebezinho que como o nosso cresceu e que a gente sempre acha que conhece e que é incapaz de qualquer coisa que venha machucar ou ferir alguém.
Peço a Deus por todas as mães e pais que choram por seus filhos que se foram e, espero poder reencontré-la.

sábado, 16 de julho de 2011

Por Manuela Berbert

Para sempre uma saudade chamada HEIDE...


Início de 2008, primeiro semestre de Direito na antiga Facsul (hoje UNIME), sento ao lado de Heide, quem eu já conhecia há muito tempo, mas não tinha estabelecido grandes laços. Ainda observando a turma, percebo uma colega adentrando a sala com uma roupa extravagante. Entreolhamos-nos com cara de riso, quando ela me perguntou: ‘será que estamos rindo da mesma coisa?’ Estava traçada ali uma AMIZADE mais forte do que eu imaginava. Foi um ano de muita parceria, trabalhos acadêmicos, provas em dupla, conversas e confidências. Um ano de amizades e laços indescritíveis. No início de 2009 Heide me avisou que precisava transferir de faculdade. Já matriculada, não sei ao certo por quanto tempo ainda continuei indo à UNIME. Lembro que um dia a encontrei na rua e no outro dia, à noite, já estávamos JUNTAS numa sala de aula na FTC, rindo, conversando, tendo nossos tantos devaneios sobre o futuro, sobre a vida, sobre as pessoas ao nosso redor. Eu nunca soube dizer NÃO pra ela. Lembro ainda que, logo nas primeiras semanas de aula, o professor e advogado Francisco Valdece pediu que a dupla SUPERPODEROSA ‘calasse a boca’ e prestasse atenção na aula. Rimos muito porque, coincidentemente, era o apelido que tínhamos, com Anna Vitória e Dani, quando na Unime...
Nós nunca fomos amigas de farra, de mesa de bar. Nossa amizade foi pautada no companheirismo diário. Na verdade, Caio e Léo sempre foram prioridades para Heide. Por isso, nos víamos e conversávamos muito pouco durante os finais de semana. Porém, era comum receber telefonemas ou torpedos que diziam: ‘amiga, me conte sua vida’, ‘amiga, manda notícias’, ‘amiga, estava olhando seu orkut: sua vida me diverte!’, ‘amiga, eu já disse que te amo hoje?’ (as respostas sempre foram recíprocas verdadeiras) Heide raramente me chamou de Manuela. Era ‘amiga’ ou no máximo Manu ou Mano, embora tenha morrido de vergonha quando Caio disse que eu não tinha cara de Tia Manu, só de Manu. ‘Amiga, Caio sabe das coisas, é inteligente... ’
(...)Durante esses dois anos e meio de convivência ela se tornou uma pessoa muito especial em minha vida, com quem eu aprendia e conversava muito. Simples, meiga, inteligentíssima, era capaz de me ligar e dizer ‘amiga, me passa sua parte do trabalho pra eu fazer porque você vai sair e vai ficar com preguiça no domingo’ com o mesmo tom de voz meigo que dizia ‘amiga, vamos fazer alguma coisa hoje?’ E a gente sempre fazia. Eram programas e momentos simples, mas únicos, que vão ficar na minha memória para sempre: comer alguma besteira na rua, tomar coca-cola zero no shopping, ou passear na Marisa. (risos) Porém, eu nunca fiz planos de montar um escritório com Heide. Eu sempre tive a CERTEZA que minha AMIGA iria passar num concurso assim que concluísse o curso, tamanha era a sua facilidade...
De janeiro pra cá, já separada de Léo, Heide queria apenas viver, ou, como ela mesma dizia, ‘ser feliz’, embora não soubesse explicar muito bem o que era essa tal felicidade a que ela se referia. Salvo engano, sua primeira grande festa solteira foi o show da Banda Eva, em Olivença, na companhia de Tici e Tai. Passamos a noite toda na frente do palco quando, insistentemente, ela subia na caixa de som, pulava e abria os braços. O segurança dava risadas e pedia que ela descesse. Dois minutos depois, lá estava ela novamente, sorrindo, achando a maior e melhor diversão do mundo aquela sensação de liberdade que estava experimentando...São incontáveis momentos e estórias, mas lembro com carinho de uma sexta-feira à noite em que
recebi uma ligação sua: ‘Amiga, me leva pra onde você for. Quero me arrumar, quero sair!’ Ela foi comigo a um jantar no Hotel Jardim Atlântico, em Ilhéus. Depois fomos dançar na boate Ballo. Lembro desse dia em especial porque, na volta pra casa, ela me confidenciou que não sabia se iria se acostumar à vida de solteira, e que continuava olhando no espelho e se perguntando: ‘cadê você que não aparece, amor da minha vida?!?’
Heide era uma menina séria e responsável, mas que tinha umas tiradas engraçadas sobre o cotidiano. Éramos unidas pelas confidências, pelos devaneios, pelas tantas observações que fazíamos sobre o comportamento humano. Tenho nítida na minha memória também uma noite em que saímos as duas apenas, fomos ao Restaubar e bebemos muito, coisa que nunca tínhamos feito antes, juntas. Brindamos a tudo: às decepções amorosas, à profissão de advogada cada vez mais próxima, ao São João desse ano, à aquisição da sua primeira moto, a Caio, aos homens com cara de ‘bolo solado’ e a um passeio de cruzeiro que ela tanto sonhava...Não estava namorando, como dizem por aí. Estava ‘vivendo’ algo, sem rótulos. Redescobrindo os sentimentos e descobrindo coisas simples, como a primeira vez em que pintou as unhas de vermelho e demorou a se acostumar, me perguntando a cada segundo se não estava estranho...
(...)
Na quarta-feira passada, quando me ligaram pela primeira vez perguntando por ela, eu estranhei. Na segunda ligação, eu me preocupei. Na terceira, me desesperei. Heide era previsível. Seu celular estava sempre ligado, ela retornava todas as ligações, respondia todos os torpedos e e-mails, e dava satisfação da sua vida com muita facilidade, especialmente por carregar consigo a responsabilidade de ser mãe. Após uma tarde aflita de ligações e busca, fui ao aniversário de Diogo Caldas no Maison Marie. Assim que entrei, me dei conta de que não tinha ido ao salão e sequer lembrado de comprar seu presente. Fiquei me perguntando o que estava fazendo ali, levantei e fui ao encontro dos nossos amigos Candinho e Daniel para que fôssemos à delegacia. Buscávamos uma resposta. Aquela sensação de ‘espera’ foi uma das piores já experimentadas. Muita coisa aconteceu até que na quinta à tarde, sentada na redação deste Diário Bahia, recebi a ligação de minha mãe dizendo: ‘Venha pra casa, minha filha. A notícia não é boa...’ Acho que surtei. De um lado, o alívio por ter encontrado. De outro, a certeza de que nunca mais eu iria escutar a sua voz me chamando de AMIGA.
A primeira cena que me veio à cabeça foi na FTC, recentemente, embora não lembre a data com precisão. Estava fazendo prova numa sala e, quando saí, ela estava sentadinha no banco me aguardando, de surpresa. Disse que queria conversar. Dentre tantas coisas e alguns planos, me confidenciou que estava muito feliz. E isso é o que ME importa. Se soubesse que aquele seria o nosso último momento de confidências e desabafos, teria ficado com ela mais tempo. Infelizmente, não fiquei. De lá para cá foram telefonemas rápidos, visitas rápidas, encontros rápidos, até o início desse pesadelo todo.
Na sexta-feira pela manhã, na porta do DPT, lembro que Tarcilly me abraçou e disse baixinho, no meu ouvido: ‘Mano, Heide é SUA amiga, como é MINHA, mas nós vamos velar o seu corpo junto ao corpo de Léo. É um desejo da mãe dela, e você tem que respeitar isso, ta?’ Fiquei calada. Eu não tinha e nem tenho o direito de julgar. Léo estava doente. Doença da alma e do coração. Essa, o homem não cura. Ele não era um bom pai e um bom filho. Segundo ela, ele
era um EXCELENTE pai e um EXCELENTE filho. E em nome desse amor dele por Caio e por sua família, em sua sã consciência, ele jamais teria tido a coragem de fazer o que fez...
À tarde, não consegui acreditar que estava ali velando o corpo da minha amiga ‘superpoderosa’, minha ‘dupla’, minha ‘gêmea’, minha ‘par’, como já escutamos tantas vezes. Quem mais vai me mandar estudar?!? Quem mais vai me ligar apenas pra dizer ‘amiga, tô com saudade’?!? Difícil de acreditar que eu não vou ver todos os seus planos se tornarem verdade. Difícil enterrar ali uma vida iluminada, inteligente, cheia de sonhos.
Difícil enterrar a MINHA AMIGA!
Vim embora antes de assistir a essa cena...Peço a Deus que dê paz aos dois. Peço também que transforme a minha dor em saudade. Hoje ela ainda é grande demais...

Sempre saudade