Esse blog é dedicado a todas as mães que ficaram e foram obrigadas a ver suas filhas partirem sem um motivo real, de forma brusca e cruel assassinadas pelos companheiros, namorados, pelo chamado crime passional. Como dói esta ausência.
domingo, 18 de março de 2012
Não precisamos de títulos
Só agora perto de completar dois anos de sua partida é que me dou conta de que, existe título para todas as pessoas que perdem entes queridos. Estava eu pesquisando na internet e, observei com mais atenção os comentários de algumas pessoas que dizem: " quando perdemos os pais ficamos orfãos, quem perde a esposa ou esposo, fica viúvo ou viúva, quando perdemos um filho(a) não existe uma denominação. Deve ser por causa da dor..."
Fiquei pensando nisto bastante e realmente é verdade como podemos chamar pais que ficaram sem seus filhos por atos de violência?. Mas, o que acontece é o seguinte, não precisamos de títulos, precisamos de conforto, de justiça, de apoio, de amor e de compreensão. Alguns pais ainda encontram na justiça dos homens uma forma de condenar os seus algozes, levando-os à prisão, mesmo sabendo que pouco tempo depois estarão de volta às ruas, o que na realidade parece indecente e injusto para aqueles que ficaram sem a presença da pessoa amada.Mas, que não se tem a quem recorrer para que a situação modifique e, por conta disso alguns acreditam que fazer justiça com as próprias mãos, será um consolo,um grande alívio poi, crê que assim está fazendo a verdadeira justiça.A dor é tão constante e após cometer o mesmo erro começa a perceber que criou mais um desconforto,se tornou um igual, e não trará de volta aquele que partiu e ainda estará condenando a si, não só à prisão dos homens mas a sua prisão interna, a consciência. Acredito numa frase que li no evangelho de Jesus, Morta a cobra não se elimina o veneno. Então vem uma outra questão, aos pais que ficaram sem seus filhos e não tem a quem levar para prisão? A quem condenar? Realmente não sei como seria se o homem que tirou a vida da minha filha, se ele ainda estivesse vivo o que eu faria. Talvez fosse pior a minha dor. Não haveria condenação para ele pois, dez, vinte, trinta, cem anos não justificaria nem tampouco iria fazer dele um homem melhor, não para mim. Sempre iria vê-lo como o homem que tirou a oportunidade de uma mãe educar seu filho, do filho crescer de forma saudavel e com uma vida cheia de amor e esperança, e mais que isso, tirou a oportunidade dela de crescimento como ser. Quando ele tirou a sua própria vida, transformou-se num condenado à vista de Deus e é nessa justiça que verdadeiramente confio e acredito. Não precisou ser condenado pelos homens, embora o tenha sido por muitas pessoas. Por tudo isso falo a todos os pais que estão hoje sem seus filhos que aguardem a justiça de Deus, embora não seja muito fácil diante da dor e do sofrimento, é necessário que creiamos que o plantio é incerto mas a colheita é obrigatória. E disso não podemos fugir. Sinto saudades.
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