sábado, 3 de novembro de 2012

Caio foi ao cemitério. Saudades... sempre. Tristeza ... nunca

Saudades ...
Hoje 03 de novembro de 2012, vou relatar o que aconteceu ontem. Já a algum tempo, Caio vem me pedindo para conhecer o local onde foi depositado o corpo da sua mãe e do seu pai. A princípio me neguei, pois achei que ele ainda não teria condições para enfrentar uma coisa como essa, visitar túmulos sem encontrar explicações para o caso.
Mas, fui sempre procurando entretê-lo de alguma maneira, com histórias engraçadas que eu crio, remontando as antigas histórias, ele ri muito e depois dorme e as coisas vão se encaminhando. Um detalhe muito importante e, que ele ri muito quando falo alguma coisa é que digo que ele tem memória de elefante, quando quer alguma coisa ele não esquece e logo volta a tona com as perguntas bombásticas.
Quando vou colocá-lo para dormir, ah! que horazinha abençoada. Esta é exatamente a hora em que ele me bombardeia com perguntas e, eu, euzinha fico tentando sair pela tangente e dando explicações que na visão dele não é nada convincente, mas, que não tenho ainda como responder às suas perguntas que cada dia que passa são muito diretas. Bem voltando ao assunto da vista ao cemitério, ele tanto insistiu que decidi levá-lo ao bendito cemitério, falei com ele que todo ano tem uma data em que as pessoas vão lá para se despedirem mais uma vez, chorar as saudades e orar por aqueles que se foram, muitos não conseguem ainda entender que não há nada ali além de um corpo inanimado, sem vida e em decomposição e, que orar por aqueles que partiram antes de nós, pode ser feito em qualquer lugar a qualquer momento. Tudo isso foi explicado para ele e como qualquer criança na idade dele faria, me perguntou o que era inanimado, e porque em decomposição e o que era isso, e eu expliquei tudo pois, tenho procurado ser com ele o mais sincera e verdadeira, para que não haja desconfiança.
Chegou o dia 02/11/2012, minha filha mais velha, achou que eu não deveria, que seria um grande sofrimento para ele e para mim, o avô paterno ficou em dúvida se deveria ou não, a avó também. Coloquei para todos que Caio está crescendo e necessita de ter algumas explicações e tem todo direito em saber e ver onde foram enterrados os seus pais. Em uníssono disseram bem se você acha Aldinha, que seja.
Comprei bastante flores e fiz dois buquês, fomos ao cemitério do Campo Santo de Itabuna, encontramos primeiro o túmulo de Heide, depositamos as flores que levamos e a seguir no túmulo do pai.
Caio fez uma carinha de choro e eu revivi aquele momento e confesso que chorei, e me recompus para que ele não ficasse ainda mais triste, me fez algumas perguntas, respondi, quiz rever o túmulo da mãe e ao chegar lá me pediu para que fizessemos uma prece, oramos o Pai Nosso, quiz voltar ao túmulo do pai e lá também fez uma prece. E foi assim, simples e confiante. Quero dizer a todos que DEUS é muito generoso com todos nós. Ontem antes de dormir ele voltou a questionar sobre os detalhes da morte dos seus pais e mais uma vez empurrei com a barriga, não sei até quando vou poder fazer isso, mas sei que está começando a ficar impraticavel as minhas desculpas. Quem vai ter que me socorrer é Dra Barbára a psicóloga. Quero deixar bem claro que Caio é um menino muito inteligente e muito equilibrado. Que Deus abençoe a todos. Saudades eterna.

Um comentário:

TH disse...

Nossa, tia, que forte este relato!
Deus cubra seus dias com muita força.
Amo. Sempre.
Th