quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Sete anos de saudades


Sozinho, era como ele se sentia mas, não abandonado. Tinha uma mão carinhosa e uma voz amiga e querida que o acalmava e ainda o acalma, embora pareça não ter mais paciência não se trata disso e sim do medo de errar com ele. Não é falta de amor e sim excesso de zelo. Me exaspero e fico nervosa pois que está se tornando um adolescente teimoso e cabeça dura, não houve muito o que falo isso me preocupa, começo a sentir que começo a envelhecer e ele não quer ver e nem admite que um dia não estarei mais aqui, coisas da natureza. Mas espero que Deus me permita deixa-lo encaminhado na vida e ajudado a se tornar um ser digno.
Desde que seus pais se foram eu tenho sido a mãe e a zeladora de tudo que diz respeito a este ser que me foi confiado, posso garantir que não é fácil para uma criança de cinco anos receber a noticia que seus pais se foram, mas é muito, muito, muito mais difícil quando se trata da partida de sua filha mais nova. Tão jovem com tantos planos e tantas expectativas de mudanças, com grandes possibilidades e uma infinidade de boas escolhas.
Não sei dizer a certo para quem foi mais difícil, se para ele que era tão criança ou se para mim que vivi 28 anos ao seu lado, posso dizer que nunca nos separamos, estávamos sempre juntas mesmo quando foi embora para morar com aquele que se tornou seu companheiro e pai de seu filho. Nos víamos quase todos os dias ou falávamos por telefone, não ´e fácil conviver com a saudade. Tantas vezes voltou para casa depois de uma briga entre eles.
Sinto que devo protege-lo mas, não quero ser uma prisão pois sei que terá que aprender a fazer suas escolhas e busco dar liberdade, o meu papel é orientar e guia-lo de maneira que não se machuque demais. Já se passaram sete anos e sempre sinto sua falta e há dias que questiono ao Senhor do universo sobre o que eu achava que sabia e incrível é a descoberta que não tem como saber de nada e a incerteza de tudo, não há nada neste mundo que ocupe este vazio.
Pergunto se é falta de crença, ou não aceitação da realidade, e me pergunto tantas outras coisas, inclusive sobre os meus dons, quais são estes dons que não consigo enxergar, não vejo, não ouço nem percebo mais nada, a não ser a distancia que não tem como medir.
Então imaginem que eu adulta, com mais discernimento tenho tantas  questões sem resposta e ele um garoto de apenas doze anos, quantas vezes chora a falta da mãe que o amamentou por quase três anos, que o amou desde o ventre e que esteve sempre presente em sua vida até o dia da sua partida. Quantas perguntas tem feito sem respostas muitas vezes.
Quando me questiona busco responder com a maior seriedade e de maneira que o deixe confortável, as vezes ele tem pesadelo e só dorme se eu ficar com ele em sua cama até que durma.
Peço muito a Deus por nós dois, e quero deixar bem claro que embora acredite no perdão e ter dito que perdoei aquele que tinha como um filho, as vezes  me surpreendo e me pego com raiva por ter tirado a oportunidade do seu filho de ser criado por seus pais, mesmo que separados. Não tinha esse direito, não há justificativa para tamanha crueldade.

 Tenho pensado muito em como será quando eu não mais estiver aqui, gostaria e quero muito que ele se torne um homem forte e corajoso para enfrentar as vicissitudes da vida.

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