terça-feira, 11 de junho de 2013

Impossivel Não Sentir Saudades!

Esse mês, completa três anos de ausência, dói, ainda dói muito essa ferida que parece não cicatrizar, é diferente da viagem que é feita ao exterior, muito distante sim, mas, com grandes possibilidades de reencontro breve, de poder tocar, de ouvir a voz, de sentir o cheiro, de poder telefonar, de poder falar da saudade que estou sentindo e ouvir do outro lado da linha, logo iremos nos ver, vou passar as férias aí com vocês, vou no Natal, vamos passar a virada do ano juntos, todos e no carnaval passaremos numa praia bem bonita, comeremos camarão, uma bela moqueca de dourado com pirão. Mas, não é assim, não tem férias, nem Natal, nem nada a não ser a esperança de reencontrá-la um dia sei lá quando, num outro plano em outra existência.
Pergunto-me sempre porquê... onde é mesmo que tenho errado tanto e o que devo mudar na minha trajetória. Pensei um dia que se alguém viesse ferir um ser da minha família, e principalmente um filho eu teria ódio mortal, mas assim não se deu, não consigo odiar, só queria entender que sentimentos levam o homem a tamanha  crueldade.
Seu filho, pergunta sempre o que aconteceu e como aconteceu e ainda não sei o que dizer e nem como dizer, mas, sei que está  muito próximo este momento e, a quem vou recorrer para me ajudar a não ser ao Deus que governa a nossa existência e rege a nossa vida. Tenho pedido socorro aos céus, tenho implorado amparo dos anjos, tenho buscado na mãe Maria a madre de Jesus o sustento e a força para suportar essa caminhada, pois sei que ELA entende muitíssimo bem a dor de todas as mães que ficam sem seus filhos por morte brutal ou não.
É muito dificil cortar os laços de mãe e filhos, dificil recuperar-se quando se vai logo ao nascer ou mesmo antes se houver um aborto espontâneo, quanto mais uma separação como as que tem acontecido com tanta violência.
Mudei toda a minha trajetória, hoje trabalho muito mais que antes, tenho procurado preencher a lacuna e procuro manter integro e saudavel meu corpo e mente. Faço judô, canto em um coral, estou aprendendo tocar violão, quero começar um projeto novo que é fotografar, e mostrar o belo mesmo quando estiver feio, procurar pérolas em meio a lama e dentro de todas estas tarefas existe uma maior que é amar, educar e orientar Caio, para que ele possa seguir meus passos com muito amor no coração. Uma das maiores tarefas da minha vida é fazê-lo compreender o poder do perdão e o principio da verdade para que se torne um homem íntegro.
Não sei se as pessoas conseguem entender o que digo, mais tenho buscado clareza nos meus sentimentos de mãe e tentado demonstrar que não é a dor pela perda, mas pela ausência e a incerteza  de reencontro.
Quero deixar registrado que acredito que as pessoas tenham vida eterna, senão não teria sentido aprendermos tanto e esse aprendizado ser desperdiçado pós morte, existem pessoas que nem chegam a exercer suas profissões ou mesmo desfrutar de algo que queria tanto e após adquirir deixa a terra, mas, quero que saibam que tenho as minhas limitações e o direito de as vezes questionar sobre do porquê não podemos ver aqueles que já se foram, até mesmo para saber como está o que podemos fazer além de orar para que todos possam se sentir melhor. Penso que isso é como uma punição ou terá outro termo a ser usado.
Ainda que creia numa outra existência, a minha limitação deixa-me sentir como se eu estivesse numa prisão e sem paredes, mesmo sem a existência delas não sei pra onde ir.  Nem tenho o que fazer além do que já tenho feito, nem fugir, aliás pra onde e do quê. 
Eu me chamo Aldamir Souza dos Santos, tenho três filhos que nasceram do meu ventre, uma se foi e deixou seu filho para mim. 
Por Deus orem por mim e por todas as mães que se sentem assim.

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